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terça-feira, 17 de março de 2015

A PEDRA...
O CRACK...
- DROGAS E DRUMMOND
NO MEIO DO CAMINHO

A QUAL, ERA DO BRASIL
Cortam coqueiros que dão côco
Alagam fontes murmurantes
Poluem rios e o mar
Fecham as cortinas do passado
Jogam a mãe preta do serrado
Nunca se cansam de roubar
Ah! Era um Brasil lindo e trigueiro
Riqueza, tanta riqueza...
Será que dá pra acabar?
No caminho que caminha,
Escreveria Caminha:
Em se roubando tudo, dá.

JESSIER QUIRINO
.
Poema publicado em 2001 no livro Prosa Morena (Ed. Bagaço)


Aquarela Do Brasil

João Gilberto

Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...
Esse coqueiro que dá coco
Oi! Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...
Brasil!
Terra boa e gostosa
Da morena sestrosa
De olhar indiferente
Brasil, samba que dá
Para o mundo se admirar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor...
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Huuum!
Essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...
Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Huuum!
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...
Brasil!
Meu Brasil Brasileiro
Mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil do meu amor
Terra de Nosso Senhor...
Abre a cortina do passado
Tira a mãe preta do cerrado
Bota o rei congo no congado
Canta de novo o trovador
A merencória à luz da lua
Toda canção do seu amor
Quero ver essa dona caminhando
Pelos salões arrastando
O seu vestido rendado...
Esse coqueiro que dá coco
Onde amarro minha rede
Nas noites claras de luar
Por essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro...
Oi! Essas fontes murmurantes
Onde eu mato a minha sede
Onde a lua vem brincar
Esse Brasil lindo e trigueiro
É o meu Brasil Brasileiro
Terra de samba e pandeiro
Brasil!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

POESIA: DO TEXTO AO CONTEXTO


Projeto desenvolvido tendo como base o livro "Coisas de outros tempos" da autora Cida Meira, em duas salas de Fase – 1 da Escola Municipal de Educação de Jovens e Adultos Clarice Lispector, nos meses de abril, maio e junho de 2004.
As salas são formadas por alunos na faixa etária entre 18 e 80 anos que freqüentam as aulas no período da tarde, das 13h às 16h30 e noite, das 18:30 às 22:00.

JUSTIFICATIVA
O desenvolvimento da leitura só pode acontecer através do constante ato de ler. A poesia em sala de aula convida o aluno a ir além da simples leitura, promove a reflexão, a descoberta de sentido nas palavras e a percepção da leitura como fonte de prazer.
OBJETIVOS

Desenvolver o gosto pela leitura;
Ler para os alunos e com os alunos;
Motivar a descoberta da magia dos livros;
Ampliar a visão do mundo da leitura;
Desenvolver a habilidade de leitura de poemas;
Compreender a diferença entre prosa e poesia;
Descobrir sentidos nas palavras e as possibilidades de interpretação;
Ler em voz alta;
Observar a estrutura dos poemas;
Descobrir as rimas, perceber ritmo e melodia;
Estabelecer relações entre texto e contexto;
Compreender e utilizar outras linguagens como forma de expressão;
Elevar a auto-estima.

ÁREAS ENVOLVIDAS
Português, História, Geografia e Artes

RECURSOS UTILIZADOS

Livros de poesias
Jornais
Revistas
Letras de músicas

AÇÕES
Leitura do poema "Coisas de outros tempos" de Cida Meira;
Leitura e escrita do poema;
Leitura e escrita das palavras que a autora cita com "coisas de outros tempos";
Observação da estrutura: versos, rimas e estrofes;
Lista de "coisas de outros tempos" lembradas pelos alunos;
Produção de texto sobre "coisas de outros tempos" lembradas com saudades;
Criação de um livro "coisas de outros tempos" com recortes, colagem e desenhos;
Conhecer a autora do livro;
Produção de texto de avaliação do trabalho;
Escrita de um texto em prosa (carta) contando sobre o trabalho com poesia.

RESULTADO DAS AÇÕES
Durante a realização do projeto os alunos comentavam que possuíam os objetos que a autora citava no poema e também outras "coisas" como: dinheiro antigo, discos de vinil, cigarro de palha, lamparina e pilão.
Outros alunos relataram que sentiam saudades dos brinquedos que eles mesmos faziam para brincar e resolveram relembrar esse tempo. A aluna Deolinda fez uma boneca de pano, a Sabrina fez uma bola de meia e o aluno Juraci um carro de boi.
Para encerrar o projeto, surgiu a idéia de realizarmos uma exposição não só dos trabalhos escritos mas também dos objetos e mostrar para toda escola, e produzirmos também um outro livro que os alunos decidiram dar o título de "Nossas Lembranças".

AVALIAÇÃO
- O desenvolvimento da leitura teve um avanço significativo.
- A confiança na capacidade de aprender a ler foi reforçada quando descobriram que a poesia era um livro e, sendo assim, tinham conseguido ler um livro inteiro.
- Os alunos ficaram surpresos e felizes ao descobrirem que a autora do livro, Cida Meira, é professora de Português de nossa escola.
- Conversar com a autora do livro, conhecer um pouco de sua trajetória como escritora, foi um momento emocionante e inesquecível para todos.
- Os alunos, durante a realização do projeto, partilharam com o grupo vivências e experiências pessoais que enriqueceram o trabalho.
- As habilidades e competências foram valorizadas. A boneca de Dona Deolinda fez tanto sucesso que agora ela está fazendo as bonecas para vender.
- A participação e o envolvimento dos alunos foi o ponto alto da realização do projeto.
- A auto-estima foi elevada pela certeza de estarem inseridos no fazer pedagógico.
- A relação professor-aluno foi reforçada pelos laços de afeto desenvolvidos.

Tem Tudo a Ver
Elias José

A poesia
tem tudo a ver
com tua dor e alegrias,
com as cores, as formas, os cheiros,
os sabores e a música
do mundo.

A poesia
tem tudo a ver
com o sorriso da criança,
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte,
os olhos pedindo pão.

A poesia
tem tudo a ver
com a plumagem, o vôo e o canto,
a veloz acrobacia dos peixes,
as cores todas do arco-íris,
o ritmo dos rios e cachoeiras,
o brilho da lua, do sol e das estrelas,
a explosão em verde, em flores e frutos.

A poesia
— é só abrir os olhos e ver —
tem tudo a ver
com tudo.

In: JOSÉ, Elias. Segredinho de amor. Il. May Shuravel. 2.ed. São Paulo: Moderna, 1991. p.6. (Girassol)

Referência Bibliográfica
JOSÉ, Elias. Segredinho de amor Il. São Paulo : Moderna, 1991.
MEIRA, Cida. Coisas de outros tempos. São Paulo : Editora Ícone, 2003.
PAES, José Paulo. Vejam como eu sei escrever. São Paulo : Ática, 2003.

Bibliografia
GEBARA, Ana Elvira Luciano. A poesia na sala de aula: leitura e análise de poesia para crianças. São Paulo: Cortez, 2002. (Coleção aprender e ensinar com textos, v. 10)
RIBEIRO, Vera Masagão. Letramento no Brasil. São Paulo: Global, 2003.
SOARES, Magda. Letramento: um tema em três gêneros. Belo Horizonte: Autêntica, 1998.

 
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A POESIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

A POESIA NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS: DO TEXTO AO CONTEXTO  
Maria Irene Bezerra Lenharo - E.M.E.J.A. Clarice Lispector
Roseli Aparecida Soares Felisberto - E.M.E.J.A. Clarice Lispector



“A poesia
— é só abrir os olhos e ver — tem tudo a ver
com tudo.”


“A poesia
Tem Tudo a Ver”
Com Alfabetização

- a descoberta das letras
- a relação som e letra
- a leitura e escrita das palavras
- a elaboração dos seus significados
- a descoberta das primeiras rimas
- a percepção da melodia e o ritmo a cada verso lido
- a leitura na escola e fora dela
- o direito de aprender
- e o exercício pleno da cidadania
“A poesia
Tem Tudo a Ver”
Com Letramento

- a apropriação da leitura e da escrita
- a compreensão das múltiplas linguagens
- a descoberta da magia dos livros
- o despertar do sonho, da imaginação, do encantamento,
do sentido das palavras, dos sentimentos e da sensibilidade.
- o direito à leitura compromissada com o prazer
e de exercer os direitos como leitor
- a leitura crítica do mundo
- e o fortalecimento da própria identidade

“A poesia
Tem Tudo a Ver”
Com Leitura de mundo

- as vivências e experiências pessoais
- o conhecimento que cada um traz
- a valorização dos saberes dos alunos pela escola
- a descoberta de si mesmo nos poemas
- a relação entre a poesia, a vida e o mundo
- a ampliação da leitura de mundo
- e o ser humano em toda a sua dimensão


Projeto: Do texto ao contexto

COISAS DE OUTROS TEMPOS
CIDA MEIRA

TALVEZ SEU AMIGO PARTA
PEÇA QUE LHE ESCREVA UMA CARTA

QUERO QUE ME DIGA AONDE
POSSO ANDAR DE BONDE

UMA MÚSICA GOSTOSA ROLA
AO SOM DE UMA VITROLA

HÁ TEMPOS QUE NÃO SE VÊ MAIS
UM LINDO LAMPIÃO A GÁS

VIVE FALANDO O SEU NOEL
DO TEMPO EM QUE SE USAVA CHAPÉU

VIVE FALANDO AQUELA MULHER VIÚVA
DE QUANDO SE USAVAM LUVAS

POUCA GENTE AINDA FALA
COMO ERA ELEGANTE USAR BENGALA

ERA DIVERTIDO DE FATO
IR À PRAÇA E TIRAR RETRATO

DIVERTIDAS À LUZ DA LUA
ERAM AS BRINCADEIRAS DE RUA

POR JOSÉ SARAMAGO “QUANTO MAIS PALAVRAS CONHECEMOS, MAIS SOMOS CAPAZES DE DIZER O QUE SENTIMOS E O QUE PENSAMOS.”



sábado, 17 de janeiro de 2015

Mais Um Barco - VANDER LEE - por Alcione



Meu amor, nosso amor
Naufragou no poço do egoísmo
Nosso amor caiu no abismo
Era de vidro e se quebrou
Se espalhou
Sob as pedras frias do ciúme
Como um frasco de perfume que era pouco e se acabou
Evaporou
Em um milhão de coisas pequeninas
Pouca paz muita rotina
Pouco gozo muita dor
Se transformou
Num turbilhão de falas tão mesquinhas
Falhas suas pragas minhas
Mil coisinhas e algum amor
O nosso amor
Naufragou nas águas desse rio
Nosso amor teve um desvio
No seu curso e já secou
Ou se queimou
Nos mares ardentes da paixão
No cais da desilusão
Mais um barco ancorou

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Arco da Aliança Alice Caymmi


Lua que clareia
Lua de candeia
Lua de encandear
Arco da aliança
que abre a roda dança
Dança de alumiar
Luz de maravilha
Que ciranda ilha
Que é de Itamaracá
No cordel de Lia
Quem roda poesia
É um braço de mar
Chão de praia
Ciranda
Pé na areia
Ciranda
Tira a saia
Ciranda
Lua cheia
Ciranda
Anda que a Lua vem de Luanda
Anda que a Lua vai pra Aruanda

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