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terça-feira, 4 de agosto de 2015

DEFENESTRAÇÃO (Luís Fernando Veríssimo Veríssimo)

"Certas palavras tem o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias em todas as suas variedades. A falácia Amazônica . A misteriosa falácia Negra.

     Hermeneutas deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Onde eles chegassem, tudo se complicaria.
     -Os hermeneutas estão chegando!
     -Lh, agora é que ninguém vai entender mais nada...
     Os hemeneutas ocupariam a cidade e paralizariam todas as atividades produtivas com seus enígmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisa recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto.
     -Alô...
     - O que é que você quer dizer com isso?...

     Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
     - Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.

     Plúmbeo devia ser o barulho que o corpo faz ao cair na água

     Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.
     A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um som lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
     -Defenestras?
     A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas...Ah, algumas defenestravam.
     Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria assim defenestradores profissionais.
     Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? "Nestes termos, pede defenestração..." Era uma palavra cheia de implicações. Devo tê-la usado uma ou outra vez, como em:
     -Aquele é um defenestrado.
     Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada era a palavra exata.

     Um dia finalmente procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. "Defenestração" vem do francês defenestration. Substantivo feminino, ato de atirar alguém ou algo pela janela.
Acabou a minha ignorância mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal,não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
     Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
     -Les defenestrations. Devem ser proibidas.
     -Sim, monsieur le ministre.
     -São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
     -Sim, monsieur le ministre.
     -Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: interdit de defenestrer. Os transgressores serão multados.. Os reincidentes serão presos.
     Na bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
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(Luís Fernando Veríssimo. O Analista de Bagé. 6ª ed. Porto Alegre.L&PM ed. 1981. p. 29-31)

SEXA - LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

Crônica - Sexa 

 


- Pai...
- Hmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É. Quer dizer, não. Existem dois sexos. Masculino e feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino. Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino. A palavra "sexo" é masculina. O sexo masculino, o sexo feminino.
- Não devia ser "a sexa"?
- Não.- Por que não?
- Porque não! Desculpe. Porque não. "Sexo" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É. Não! O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?- Sexo mesmo. Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É. Quer dizer... Olha aqui. Tem o sexo masculino e o sexo feminino, certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não. Ou, são! Mas a palavra é a mesma. Muda o sexo, mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo. É sempre masculino.
- A palavra é masculina.
- Não. "A palavra' é feminino. Se fosse masculina seria "o pal..."
- Chega! Vai brincar, vai.
O garoto sai e a mãe entra. O pai comenta:
- Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
- Ele só pensa em gramática.

Adolescência - Luis Fernando Veríssimo

Já o Jander tinha quatorze anos, a cara cheia de espinhas e como se não bastasse isso, inventou de estudar violino.

— Violino?! — horrorizou-se a família.
— É.
— Mas Jander...
— Olha que eu tenho um ataque.

Sempre que era contrariado, o Jander se atirava no chão e começava a espernear.
Compraram um violino para ele.
O Jander dedicou-se ao violino obsessivamente. Ensaiava dia e noite. Trancava-se no
quarto para ensaiar. Mas o som do violino atravessava portas e paredes. O som do violino se
espalhava pela vizinhança.

Um dia a porta do quarto do Jander se abriu e entrou uma moça com um copo de leite.

— Quié? — disse o Jander, antipático como sempre.
— Sua mãe disse que é para você tomar este leite. Você quase não jantou.
— Quem é você?
— A nova empregada.
Seu nome era Vandirene. Na quadra de ensaios da escola era conhecida como "Vandeca Furacão".

Ela botou o copo de leite sobre a mesa-de-cabeceira, mas não saiu do quarto. Disse:
— Bonito, seu violino.
E depois:
— Me mostra como se segura?

Depois a vizinhança suspirou aliviada. Não se ouviu mais o som do violino aquelanoite.
O pai de Jander reuniu-se com os vizinhos.

— Parece que deu certo.
— É.
— Não vão esquecer o nosso trato.
— Pode deixar.

No fim do mês todos se cotizariam para pagar o salário da Vandirene. A mãe do Jander não ficou muito contente. Pobre do menino. Tão moço. Mas era a Vandirene ou o violino.

— E outra coisa — argumentou o pai do Jander. — Vai curar as espinhas.

Bom de Ouvido por Ana Maria Machado - PARA QUEM NÃO GOSTA DE LER.

Volta e meia a gente encontra alguém que foi alfabetizado, mas não sabe ler.
Quer dizer, até domina a técnica de juntar as sílabas e é capaz de distinguir
no vidro dianteiro o itinerário de um ônibus. Mas passa longe de livro,
revista, material impresso em geral. Gente que diz que não curte ler.
Esquisito mesmo. Sei lá, nesses casos, sempre acho que é como se a pessoa
estivesse dizendo que não curte namorar. Talvez nunca tenha tido a chance
de descobrir como é gostoso. Nem nunca tenha parado para pensar que, se
teve alguma experiência desastrosa em um namoro (ou em uma leitura), isso
não quer dizer que todas vão ser assim. É só trocar de namorado ou
namorada. Ou de livro. De repente, pode descobrir delícias que nem
imaginava, gostosuras fantásticas, prazeres incríveis. Ninguém devia ser
obrigado a namorar quem não quer. Ou ler o que não tem vontade. E todo
mundo devia ter a oportunidade de experimentar um bocado nessa área, até
descobrir qual é a sua.
Durante 18 anos, eu tive uma livraria infantil. De vez em quando, chegavam
uns pais ou avós com a mesma queixa: "O Joãozinho não gosta de ler, o que
é que eu faço?" Como eu acho que o ser humano é curioso por natureza e
qualquer pessoa alfabetizada fica doida pra saber o segredo que tem dentro
de um livro (desde que ninguém esteja tentando lhe impingir essa leitura
feito remédio amargo pela goela abaixo), não acredito mesmo nessa história
de criança não
gostar de ler. Então, o que eu dizia naqueles casos não variava muito.
A primeira coisa era algo como "pára de encher o saco do Joãozinho com
essa história de que ele tem que ler". Geralmente, em termos mais delicados:
"Por que você não experimenta aliviar a pressão em cima dele, e passar uns
seis meses sem dar conselhos de leitura?"
O passo seguinte era uma sugestão: "Experimente deixar um livro como este
ao alcance do Joãozinho, num lugar onde ele possa ler escondido, sem
parecer que está fazendo a sua vontade. No banheiro, por exemplo." E o que
eu chamava de um livro como este, já na minha mão estendida em oferta,
podia ser um exemplar de O Menino Maluquinho, do Ziraldo, ou do
Marcelo, Marmelo, Martelo, da Ruth Rocha, ou de O Gênio do Crime, do
João Carlos Marinho. Havia vários outros títulos que também serviam. Mas o
fato é que, em 18 anos de experiência, NUNCA, nem uma única vez,
apareceu depois um pai reclamando que aquela sugestão não tinha dado
certo. Pelo contrário, incontáveis vezes o encontro seguinte já incluía um
Joãozinho entusiasmado, comentando o livro lido e disposto a fazer novas descobertas.
Para adolescentes e jovens, a coisa é um pouco mais
complicada. Não porque não haja livro bom assim como os que citei. Pelo
contrário, tem de montão. Eu seria capaz de encher páginas e páginas só
dando sugestões e comentando cada uma delas. A quantidade chega até a
atrapalhar a escolha, não é esse o problema. Mas aí já entram em cena muitas
outras variáveis.
O fôlego de leitura do sujeito, por exemplo. Igualzinho ao que acontece nos
esportes. Como quem sabe que não vai agüentar jogar noventa minutos, e
então nem bate uma bolinha, dizendo que acha futebol um jogo idiota. Há
quem desanime só de ver o número de paginas do livro, ou o tamanho da
letra, ou o fato de não ter ilustração. Nesse caso, o cara acha que vai ficar de
língua de fora e pagar o maior mico. Não percebe que não está competindo
com ninguém.
Também não tem ninguém na arquibancada olhando sua performance. Dá
para levar o tempo que quiser para chegar ao fim do livro. Ler uma página
por dia, por exemplo, se não quiser ir mais depressa. Num livro como este
aqui, dá pra fazer isso - as histórias são curtinhas.
Para outros candidatos a leitor, não é uma questão de fôlego, mas de medo de
não ter musculatura para ler. De só dar chute chocho e a bola não ir longe.
De não agüentar a força do que está escrito, não entender umas palavras, não
perceber o que o autor quer dizer e ficar se achando um burro. Se nunca usar,
o músculo pode acabar
tão atrofiado que o cara não consegue nem mastigar, fica feito um bebê, só
come papinha, sopa e sorvete. Incapaz de traçar um churrasco - para não falar
em ir ao supermercado trazer a carne, ou plantar a própria horta. Dá um
trabalho... Quando vejo essa atitude, sempre me lembro daquela frase: "Acha
que educação custa caro? Experimente só a ignorância..."
Mas, de qualquer modo, dá também para ser
solidário com quem ainda não teve chance de desenvolver sua musculatura
leitora. Tudo bem, vamos devagar. Lendo textos curtos, fáceis, divertidos,
variados, numa linguagem clara e parecida com a que a gente fala todo dia (e
toda noite, não há limites).
É só folhear este livro. Pode ser que alguma história atraia sua atenção e
mostre que, mesmo que uma ou outra palavra lhe escape, ninguém está
falando complicado.
Outra questão difícil na escolha de uma leitura de jovens e adolescentes, em
minha opinião, é que eles já são praticamente adultos. Ainda mais hoje em
dia, e no nosso país. Não têm que ficar lendo histórias de uma turminha de
garotos que só se trata por apelidinhos idiotas e inventa uma máquina do
tempo ou apura um crime, ou enfrenta o terror de múmias e mortos-vivos a
serviço de um cientista maluco, ou vive aventuras nos Mares do Sul, no Vale
dos Dinossauros, na Galáxia Superior ou no Reino do Escambau. É até uma falta de respeito com a inteligência e a capacidade dos jovens. Eles podem
rir, brincar, gostar de ter amigos e de se divertir, mas também gostam muito
de pensar e de criticar um bocado das heranças malucas que esse chamado
mundo dos adultos está deixando para eles. E muitos dos livros que esses
adultos (que muitas vezes não lêem) querem que eles leiam ficam batendo
nessa tecla da “bobajada divertida”.
Coisas que até tinham algum sentido em gerações anteriores, mas hoje
apanham de goleada de qualquer videogame - porque são um tipo de
diversão que não precisa de palavras.
E quando os livros que os adultos querem que os jovens leiam não são esses,
pior ainda: lá vem aqueles autores do século XIX... e já estamos no XXI!
Podem ser ótimos, importantes e tudo o mais - ninguém está negando isso.
Mas não são o tipo de leitura ideal para aquele primeiro namoro/leitura cheio
de delícias e gostosuras, quando o leitor ainda nem tem vinte anos.
E tem mais. Nessa idade, todo mundo gosta de procurar sua tribo. Há quem
goste de pagode, quem se amarre em música sertaneja, quem só queira saber
de rock. A turma que madruga e batalha para conciliar estudo e trabalho, o
pessoal que discute política e faz manifestação, a moçada que não está nem
aí. Se eles não se vestem igual, não freqüentam os mesmos lugares, não se
deslocam nos mesmos transportes, não curtem o mesmo tipo de música, não
falam a mesma gíria, como é que de repente a gente vai encontrar um livro
assim como O Menino Maluquinho para jovens, capaz de atingir a todos, tão
diferentes?
A sorte é que o Brasil é incrível e produz essas coisas. A nossa cultura tem
sido capaz de revelar de vez em quando uns artistas que são assim, portavozes
de todos. Tipo Chico Buarque na música. Ou um filme como Central
do Brasil, no cinema. E muitos outros.
Mais do que isso: tem sido uma permanente preocupação da arte brasileira,
desde o modernismo de 1922, procurar ao mesmo tempo inventar uma
linguagem nova e se expressar de uma maneira reconhecida por todos como
nossa, brasileira. No caso da literatura, todo escritor que surgiu desde essa
época teve que em algum momento decidir que tipo de língua ia usar para
ajudar a criar a linguagem escrita brasileira. Um português que não seja
artificial, enquadrado e certinho como impingiam os gramáticos lusitanos,
mas que também não se transforme no vale-tudo dos locutores esportivos,
tão pretensioso, ignorante e cheio de erros, tão consagrador das manias
pessoais que pode acabar levando a uma situação em que daí a algum tempo
ninguém mais se entende. Enfim, os escritores brasileiros do século XX
tiveram que enfrentar o desafio de estabelecer o português do Brasil, fiel ao
espírito do idioma que herdamos, mas atento ao que se diz de verdade pelo
país afora, em casa ou na rua. Um português correto, mas brasileiro. Para ser
um bons escritor, foi sendo necessário ter bom ouvido, ser meio músico. E,além disso, captar nossas pausas para rir. Coisa superimportante para todos nós.
Tem humorista que acha que é escritor. Nem sempre dá certo, às vezes fica
até meio patético, sem graça e sem garra, dá pena. Mas talvez ainda seja pior
o caso dos escritores metidos a engraçados. Dão mais pena ainda,
constrangem o leitor. Ainda bem que no Brasil esses casos até que são raros.
Temos é uma belíssima tradição de excelentes humoristas-escritores. Gente
que tem um texto límpido, ágil, maravilhosamente agudo e inteligente.
Autores que lêem muito, ouvem muita música, vêem muita imagem, se
metem no palco, transitam de uma arte para outra. São artistas que sabem
plasmar a linguagem para que ela lhes obedeça, autores que conhecem
profundamente o idioma, que são capazes de relacionar fatos quotidianos
com episódios históricos, carregálos de alusões culturais, revirar sua lógica
pelo avesso. Com isso, mostram seu ridículo, expõem seu absurdo... e
arrancam gargalhadas ou sorrisos à vontade. Nomes como os de Millôr
Fernandes, Ivan Lessa, Stanislaw Ponte Preta, Aldir Blanc. Nessa
companhia, Luis Fernando Verissimo está absolutamente à vontade. É um
dos grandes, numa área que, com toda certeza, e um dos pontos altos e
originais da nossa literatura.
A praia do Verissimo é o quotidiano principalmente na intimidade As
conversas entre quatro paredes, as lembranças solitárias de infâncias e
adolescências constantemente passadas a limpo, os desígnios de Deus (em
geral, mascarados sob a forma clássica das velhas anedotas sobre um grupo
de pessoas que morre e se apresenta diante de São Pedro). Mas o tema não é
o mais importante. Sobre qualquer assunto e a qualquer pretexto, o autor
revela suas obsessões, fala das mesmas coisas, preocupa-se com o social e o
ético, despreza solenemente o econômico... e encontra sempre uma maneira
nova de fazer isso, como se nunca o tivesse feito antes. As situações podem
ser quotidianas, mas os ângulos geralmente são insólitos e inesperados. Ou
então, reforçam o já esperado, mas com tão exatas pitadas de exagero que a
caricatura até parece um retrato realista pelo avesso, em que o lado cômico é
revelado em sua verdadeira grandeza e o sentido profundo aparece com
nitidez.
Para conseguir isso, Luis Fernando Verissimo conta com seu magistral
domínio da linguagem e do ritmo da narração. Tem uma admirável economia
no uso das palavras tudo é enxuto, nada sobra. No país do barroco, é quase
minimalista. Seus diálogos dão até a impressão de que saíram de uma fita
gravada. Mas é só a gente lembrar da realidade das transcrições de conversas
gravadas (cada vez mais freqüentes nas denúncias de escândalos pela
imprensa), para perceber como essa impressão é falsa. Estamos exatamente
diante daquele processo que Carlos Drummond de Andrade descreveu tão
bem, ao dizer que queria a beleza da simplicidade - mas não a beleza do que nasceu simples e sim a beleza do que ficou simples. Fruto de atenção
impiedosa, muito trabalho e aguda consciência de como cortar.
Que ninguém se engane. Pode parecer que Luis Fernando Verissimo é que
nem passarinho: abre o bico e sai cantando sem qualquer esforço, puro dom
natural. Mas em arte
isso não existe. E estamos falando de um artista da palavra. Alguém que vê a
linguagem como dizia o crítico Roland Barthes para caracterizar um escritor.
Se alguém duvida, vá direto a uma das crônicas selecionadas, como
"Palavreado". Ou "Defenestração". Mas se não quiser pensar em nada disso,
não faz mal. Relaxe e
aproveite. Curta as histórias, as piadas, o jeito de falar. Seja nos relatos de
desencontros que chamamos de Equívocos, nas historinhas com moral
escondida que batizei de Fábulas, nas divagações sobre um tema (Falando
Sérío), nas memórias (Outros Tempos), nas brincadeiras com a linguagem ou
o estilo. Sempre uma gostosura. Puro prazer. Um jardim de delícias.
Depois de ler este livro, duvido que algum jovem ainda seja capaz de dizer,
sinceramente, que não curte ler. E, para não ficar achando que só gosta deste
livro, que leia os outros do autor. Aposto que, em sua maioria, os novos
leitores vão se viciar em livro e sair procurando outros textos, de outros
autores. Com vontade de, um dia, chegar a escrever assim. Quem sabe? O
Verissimo nunca pensou que ia ser escritor quando crescesse. Seu negócio
era mesmo um bom solo de saxofone, instrumento em que ainda arrasa,
escondido. Mas com essa história de ser músico, desenvolveu tanto o ouvido
que acabou assim: hoje ele ouve (e conta pra nós) até o que pensamos,
sentimos e sonhamos em silêncio. Em qualquer idade.

terça-feira, 28 de julho de 2015

O Sertãomundo de Suassuna

Ariano Suassuna

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Ariano Suassuna Academia Brasileira de Letras
Data de nascimento 16 de junho de 1927
Local de nascimento João Pessoa,  Paraíba
Nacionalidade  brasileiro
Data de morte 23 de julho de 2014 (87 anos)
Local de morte Recife,  Pernambuco
Ocupação Dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta
Magnum opus O Auto da Compadecida (1955)
Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971)
Ariano Vilar Suassunanb 1 (João Pessoa, 16 de junho de 1927 — Recife, 23 de julho de 2014)1 foi um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro.
Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.
Foi secretário de Cultura de Pernambuco (1994-1998) e secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.2

Índice

Biografia

Ariano Vilar Suassuna nasceu na Cidade da Paraíba, atual João Pessoa, no dia 16 de junho de 1927, filho de Cássia Vilar e João Suassuna. Como seu pai era o presidente do estado, cargo que a partir da Constituição de 1937 passou a ser denominado "governador", Ariano nasceu nas dependências do Palácio da Redenção,3 sede do Executivo paraibano. No ano seguinte, o pai deixa o governo da Paraíba, e a família passa a morar no Sertão, na Fazenda Acauã, em Sousa4 .
Com a Revolução de 1930, João Suassuna foi assassinado por motivos políticos no Rio de Janeiro, e a família mudou-se para Taperoá, onde morou de 1933 a 1937. Nessa cidade, Ariano fez seus primeiros estudos e assistiu pela primeira vez a uma peça de mamulengos e a um desafio de viola, cujo caráter de “improvisação” seria uma das marcas registradas também da sua produção teatral.
A partir de 1942 passou a viver em Recife, onde terminou, em 1945, os Estudos secundários no Ginásio Pernambucano, no Colégio Americano Batista e no Colégio Osvaldo Cruz. No ano seguinte ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde conheceu Hermilo Barbosa Filho e, junto com ele, fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma Mulher Vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as Harpas de Sião (ou O Desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Os Homens de Barro foi montada no ano seguinte.
Em 1950, formou-se na Faculdade de Direito de Recife e recebeu o Prêmio Martins Pena pelo Auto de João da Cruz. Para curar-se de doença pulmonar, viu-se obrigado a mudar-se de novo para Taperoá, na Paraíba. Lá escreveu e montou a peça Torturas de um Coração em 1951. Em 1952, volta a residir em Recife. Deste ano a 1956, dedicou-se à advocacia, sem abandonar, porém, a atividade teatral. São desta época O Castigo da Soberba (1953), O Rico Avarento (1954) e o Auto da Compadecida (1955), peça que o projetou em todo o país e que seria considerada, em 1962, por Sábato Magaldi “O texto mais popular do moderno teatro brasileiro”.
Em 1956, abandonou a advocacia para tornar-se professor de Estética na Universidade Federal de Pernambuco. No ano seguinte foi encenada a sua peça O Casamento Suspeitoso, em São Paulo, pela Cia. Sérgio Cardoso, e O Santo e a Porca; em 1958, foi encenada a sua peça O Homem da Vaca e o Poder da Fortuna; em 1959, A Pena e a Lei, premiada dez anos depois no Festival Latino-Americano de Teatro.
Em 1959, em companhia de Hermilo Borba Filho, fundou o Teatro Popular do Nordeste, que montou em seguida a Farsa da Boa Preguiça (1960) e A Caseira e a Catarina (1962). No início dos anos 60, interrompeu sua bem-sucedida carreira de dramaturgo para dedicar-se às aulas de Estética na UFPE. Ali, em 1976, defende a tese de livre-docência A Onça Castanha e a Ilha Brasil: Uma Reflexão sobre a Cultura Brasileira. Aposenta-se como professor em 1994.
Membro fundador do Conselho Federal de Cultura (1967); nomeado, pelo Reitor Murilo Guimarães, diretor do Departamento de Extensão Cultural da UFPE (1969). Ligado diretamente à cultura, iniciou em 1970, no Recife, o “Movimento Armorial”, interessado no desenvolvimento e no conhecimento das formas de expressão populares tradicionais. Convocou nomes expressivos da música para procurarem uma música erudita nordestina que viesse juntar-se ao movimento, lançado no Recife, em 18 de outubro de 1970, com o concerto “Três Séculos de Música Nordestina – do Barroco ao Armorial” e com uma exposição de gravura, pintura e escultura. Secretário de Cultura do Estado de Pernambuco, no Governo Miguel Arraes (1994-1998).
Entre 1958-79, dedicou-se também à prosa de ficção, publicando o Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta (1971) e História d’O Rei Degolado nas Caatingas do Sertão / Ao Sol da Onça Caetana (1976), classificados por ele de “romance armorial-popular brasileiro”.
Ariano Suassuna construiu em São José do Belmonte, onde ocorre a cavalgada inspirada no Romance d’A Pedra do Reino, um santuário ao ar livre, constituído de 16 esculturas de pedra, com 3,50 m de altura cada, dispostas em círculo, representando o sagrado e o profano. As três primeiras são imagens de Jesus Cristo, Nossa Senhora e São José, o padroeiro do município.
Membro da Academia Paraibana de Letras e da Academia Pernambucana de Letras.
Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000); Universidade Federal da Paraíba (Resolução Nº 10/2001) tendo recebido a honraria no dia 29 de junho de 2002; Universidade Federal Rural de Pernambuco (2005), Universidade de Passo Fundo (2005) e Universidade Federal do Ceará (2006) tendo recebido a honraria em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos. "Podia até parecer que não queria receber a honraria, mas era problemas de agenda", afirmou Ariano, referindo-se ao tempo entre a concessão e o recebimento do título.5
Ariano Suassuna, durante evento pró-equidade de gênero e diversidade, em Brasília, 2007.
Em 2002, Ariano Suassuna foi tema de enredo no carnaval carioca na escola de samba Império Serrano; em 2008, foi novamente tema de enredo, desta vez da escola de samba Mancha Verde no carnaval paulista. Em 2013 sua mais famosa obra, o Auto da Compadecida será o tema da escola de samba Pérola Negra em São Paulo.
Em 2004, com o apoio da ABL, a Trinca Filmes produziu um documentário intitulado O Sertão: Mundo de Ariano Suassuna, dirigido por Douglas Machado e que foi exibido na Sala José de Alencar.
Em 2011, quando Eduardo Campos, então governador de Pernambuco, foi reeleito Presidente Nacional do Partido Socialista Brasileiro - PSB, Ariano foi eleito Presidente de Honra. Na oportunidade, declarou que era "um contador de história" e que encerraria sua "vida política neste cargo"6 .
Durante o mandato de Eduardo Campos do Governo de Pernambuco, Ariano Suassuna foi assessor especial até abril de 2014. Ariano Suassuna era torcedor do Sport Club do Recife, clube que o homenageou dando lhe seu nome a Taça Ariano Suassuna que estreará em 2015.7

Morte

Ariano morreu no dia 23 de julho de 2014 no Real Hospital Português, no Recife, onde deu entrada na noite do dia 21, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), passando por procedimento cirúrgico com colocação de dois drenos para controlar a pressão intracraniana. Ele ficou em coma e respirando por ajuda de aparelhos.8 O corpo de Ariano foi sepultado no Cemitério Morada da Paz em Paulista, Região Metropolitana do Recife em Recife em 24 de julho de 2014.9

Estudos de Ariano

Em 1942, ainda adolescente, Ariano Suassuna muda-se para a cidade do Recife, no vizinho estado de Pernambuco, onde passou a residir definitivamente. Estudou o antigo ensino ginasial no renomado Colégio Americano Batista, e o antigo colegial (ensino médio), no tradicionalíssimo Ginásio Pernambucano e, posteriormente, no Colégio Oswaldo Cruz. Posteriormente, Ariano Suassuna concluiu seu estudo superior em Direito (1950), na célebre Faculdade de Direito do Recife, e em Filosofia (1957 a 1959) na Universidade Católica de Pernambuco, tendo colado grau em 25/02/1960.
De formação calvinista e posteriormente agnóstico, converteu-se ao catolicismo, o que viria a marcar definitivamente a sua obra.10
Ariano Suassuna estreou seus dons literários precocemente no dia 7 de outubro de 1945, quando o seu poema "Noturno" foi publicado em destaque no Jornal do Commercio do Recife.

Advocacia e teatro

Na Faculdade de Direito do Recife, conheceu Hermilo Borba Filho, com quem fundou o Teatro do Estudante de Pernambuco. Em 1947, escreveu sua primeira peça, Uma mulher vestida de Sol. Em 1948, sua peça Cantam as harpas de Sião (ou O desertor de Princesa) foi montada pelo Teatro do Estudante de Pernambuco. Seguiram-se Auto de João da Cruz, de 1950, que recebeu o Prêmio Martins Pena, o aclamado Auto da Compadecida, de 1955, O Santo e a Porca - O Casamento Suspeitoso, de 1957, A Pena e a Lei, de 1959, A Farsa da Boa Preguiça, de 1960, e A Caseira e a Catarina, de 1961.
Entre 1951 e 1952, volta a Sousa, para curar-se de uma doença pulmonar. Lá escreveu e montou Torturas de um coração. Em seguida, retorna a Recife, onde, até 1956, dedica-se à advocacia e ao teatro.
Em 1955, Auto da Compadecida o projetou em todo o país. Em 1962, o crítico teatral Sábato Magaldi diria que a peça é "o texto mais popular do moderno teatro brasileiro". Sua obra mais conhecida, já foi montada exaustivamente por grupos de todo o país, além de ter sido adaptada para a televisão e para o cinema.
Em 1956, afasta-se da advocacia e se torna professor de Estética da Universidade Federal de Pernambuco, onde se aposentaria em 1994. Em 1976, defende sua tese de livre-docência, intitulada "A Onça castanha e a Ilha Brasil: uma reflexão sobre a cultura brasileira".
Ariano acredita que: "Você pode escrever sem erros ortográficos, mas ainda escrevendo com uma linguagem coloquial."

Movimento Armorial

Ariano foi o idealizador do Movimento Armorial, que tem como objetivo criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Tal movimento procura orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras expressões.
Obras de Ariano Suassuna já foram traduzidas para inglês, francês, espanhol, alemão, holandês, italiano e polonês.11

O assassinato do pai

O próprio Ariano Suassuna reconhecia que o assassinato de seu pai, João Suassuna, ocupava posição marcante em sua inquietação criadora. No discurso de posse na Academia Brasileira de Letras, disse:
"Posso dizer que, como escritor, eu sou, de certa forma, aquele mesmo menino que, perdendo o pai assassinado no dia 9 de outubro de 1930, passou o resto da vida tentando protestar contra sua morte através do que faço e do que escrevo, oferecendo-lhe esta precária compensação e, ao mesmo tempo, buscando recuperar sua imagem, através da lembrança, dos depoimentos dos outros, das palavras que o pai deixou."12
O assassinato de João Suassuna ocorreu como desdobramento da comoção posterior ao assassinato de João Pessoa, governador da Paraíba e candidato a Vice-Presidente do Brasil na chapa de Getúlio Vargas. Ariano Suassuna atribuía à família Pessoa a encomenda do assassinato de seu pai, João, ao pistoleiro Miguel Laves de Souza, que atirou na vítima pelas costas, no Rio de Janeiro.13
Ariano Suassuna, em razão dessa história, desgostava do nome atribuído à cidade onde nasceu, a capital do Estado da Paraíba, que, em 1927, quando veio à luz o escritor paraibano, também se chamava Paraíba.

Academia Pernambucana de Letras

Em 1993, foi eleito para a cadeira 18 da Academia Pernambucana de Letras, cujo patrono é o escritor Afonso Olindense.

Lorbeerkranz.png Academia Brasileira de Letras

De 1990 até o ano de sua morte, ocupou a cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras, cujo patrono é Manuel José de Araújo Porto Alegre, o barão de Santo Ângelo. Foi sucedido por Zuenir Ventura.14

Academia Paraibana de Letras

Assumiu a cadeira 35 na Academia Paraibana de Letras em 9 de outubro de 2000, cujo patrono é Raul Campelo Machado, sendo recepcionado pelo acadêmico Joacil de Brito Pereira.

Obras selecionadas

  • Uma mulher vestida de Sol (1947)
  • Cantam as harpas de Sião ou O desertor de Princesa (1948)
  • Os homens de barro (1949)
  • Auto de João da Cruz (1950)
  • Torturas de um coração (1951)
  • O arco desolado (1952)
  • O castigo da soberba (1953)
  • O Rico Avarento (1954)
  • Auto da Compadecida (1955)
  • O casamento suspeitoso (1957)
  • O santo e a porca (1957)
  • O homem da vaca e o poder da fortuna (1958)
  • A pena e a lei (1959)
  • Farsa da boa preguiça (1960)
  • A Caseira e a Catarina (1962)
  • As conchambranças de Quaderna (1987)
  • Fernando e Isaura (1956, inédito até 1994)

Romance

Poesia

  • O pasto incendiado (1945-1970)
  • Ode, (1955)
  • Sonetos com mote alheio (1980)
  • Sonetos de Albano Cervonegro (1985)
  • Poemas (antologia) (1999)
  • Os homens de barro (1949)

Ver também

Notas


  1. Ariano Suassuna era descendente da família ítalo-brasileira Cavalcanti, que se estabeleceu em Pernambuco com o imigrante florentino Filippo Cavalcanti, morto em Olinda por volta de 1614. Seu sobrenome deriva de um engenho que era propriedade da família Cavalcanti e se chamava "Suassuna", nome este que acabou sendo adotado por alguns ancestrais dessa família como apelido no Nordeste do Brasil. Fonte: Cavalcanti: a saga da maior família do Brasil - Rodrigo Cavalcante 16/04/2012 - Revista Aventuras na História (Guia do Estudante)

Referências


  • Morre aos 87 anos o escritor Ariano Suassuna, o cavaleiro do sertão

  • "http://www.pe.gov.br/secretarias/secretaria-de-assessoria-ao-governador

  • Releituras - Ariano Suassuna.

  • Suassuna, Ariano. Enciclopédia da Itaú Cultural da Literatura Brasileira..

  • Suassuna é ´Honoris Causa´

  • Iolando Lourenço. Agência Brasil. Eduardo Campos é reeleito presidente nacional do PSB. Página visitada em 19 de agosto de 2014 em: http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2011-12-03/eduardo-campos-e-reeleito-presidente-nacional-do-psb

  • Meu Jogo Inesquecível: o Timão na trilha do Sport de Ariano Suassuna

  • Ariano Suassuna está em coma e respira com ajuda de aparelhos

  • Após 16 horas de velório e desfile em carro aberto, Ariano é enterrado

  • Aragão, G. (2004). Literatura e Religião na Obra de Ariano. Palestra na Semana Teológica da UNICAP

  • http://www.agecom.ba.gov.br/exibe_noticia.asp?cod_noticia=792

  • Academia Brasileira de Letras. Discurso de posse do imortal Ariano Suassuna..

  • ABL. Murilo Melo Filho. Textos escolhidos..

    1. Ferreira Gullar, Evaldo Mello e Zuenir Ventura ocupam as cadeiras vagas na ABL Tribuna do Norte (01 de Agosto de 2014). Visitado em 27 de agosto de 2014.

    Ligações externas

    quinta-feira, 16 de julho de 2015

    CASA DOS CONTOS - MG - OURO PRETO


    Museu Casa dos Contos



    Originalmente, em 1784, foi residência e "Casa de Contratos" destinada ao recolhimento de impostos. Em 1789, derviu de prisão nobre de Inconfidentes e sede da "Administração e Contabilidade Pública da Capitania de Minas Gerais", daí o nome de "Casa dos Contos". Recebeu acréscimos físicos como o destinado à "Casa de Fundição e da Moeda", bem como foi sede de repartições públicas. Em 1974, retornou ao Ministério da Fazenda. Foi completamente restaurada em e contém, em seu interior, exposições documentais, numismáticas da Casa da Moeda do Brasil e do Banco Central do Brasil e outras mostras culturais que, junto ao mobiliário e singular arquitetura, compõem o seu Museu.
    Em uma de suas laterais, perpetuando suas origens fiscais, encontra-se a Agência da Receita Federal local.
    O Centro de Estudo do Ciclo do Ouro, instalado na Casa do Contos, propicia, pela pesquisa em microformas, o resgate e o estudo da documentação econômico-fiscal do Ciclo do Ouro, abrigando, também, outros arquivos sócio-econômicos e culturais de Minas Gerais.

    Rua São José, nº 12 - Centro
    Tel .: (31) 3551-1444

    Visitação : segunda-feira das 14h às 18h; terça-feira a sábado das 10h às 17h; domingo e feriado das 10h às 15h.

    quarta-feira, 1 de julho de 2015

    CONTIDO E DERRAMADO

    Contido

    21 Definições encontradas.
     

    Classificação morfossintática:

     Verbo, particípio de conter
     Adjetivo, masculino singular 

    Flexões da palavra Contido

    Significados de Contido :

    Clique aqui se você CONCORDA com essa definição!  64 sobe, 35 desce Clique aqui se você NÃO CONCORDA com essa definição!

    1. Contido

    Por  (MG) em 26-11-2008
    1) Que está totalmente dentro de algo.
    2) Que não passa de certos limites
    3) Que faz parte ou consta de um grupo
    4) Pessoa reservada
    5) Abrangido
    6) Refreado
    7) Reprimido
     
    1) Esta caixa contem 1 litro de leite longa vida.
    2) O avanço da fronteira agrícola foi contido pelo rio Madeira
    3) A espécie dos escorpiões contém diversos tipos.
    4) Genaro é uma raridade: Ele é um italiano contido.
    5) Com a subida da maré, a árvore também ficou contida no mar.
    6) A ânsia arrecadadora do fisco foi contida pelo STF.
    7) A passeata foi contida a custo de muito gás e cassetete.


    DERRAMADO - ANTÔNIMO DO ADJETIVO CONTIDO.


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