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domingo, 23 de agosto de 2015

Herança Roupa Nova




Meus pais me deram a vida então
Pra ser livre e poder me expressar
Nós com os punhos de cidadão
Com direitos de não aceitar
A guerra nuclear, sorrisos nunca mais
Nossos filhos correm o risco de ver
O início, a criação, de um mundo bem melhor
De homens que pensam nos homens
Não só no poder
Cadê o gênio da invenção
Que sumiu e a semente ficou
Não depender de uma decisão
Um botão e sonho acabou
Hiroshima flor, mais uma vez não
Nuvens, tempestades de radiação
Onde estão vocês, me digam por favor
Homens que só pensem nos homens, na vida e no amor
Ambição demais
Aos loucos satisfaz
Todo esse cenário terrível de ver
E que venha a paz
Abaixo os ideais
De homens que não sabem que pode ser tarde demais
Wedn'sday morning at five o'clock
as the day begins

terça-feira, 11 de agosto de 2015

José Mindlin - DO AMOR AOS LIVROS E SUAS LETRAS. 7 DE JANEIRO - DIA DO LEITOR

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
José Mindlin Academia Brasileira de Letras
Nome completo José Ephim Mindlin
Nascimento 8 de setembro de 1914
São Paulo,  São Paulo
Morte 28 de fevereiro de 2010 (95 anos)
São Paulo,  São Paulo
Nacionalidade  brasileiro
Ocupação Repórter, advogado, empresário, escritor e bibliófilo
José Ephim Mindlin (São Paulo, 8 de setembro de 1914 — São Paulo, 28 de fevereiro de 2010) foi um repórter, advogado, empresário, escritor e bibliófilo brasileiro.

Índice

Biografia

Carreiras não-literárias

Filho do dentista Ephim Mindlin e de Fanny Mindlin, judeus nascidos em Odessa, José começou a trabalhar aos 15 anos de idade como repórter no jornal O Estado de S. Paulo, o que, segundo ele, foi uma experiência muito importante para a sua formação1 . Posteriormente, José formou-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e advogou ainda por alguns anos até fundar a empresa Metal Leve, que mais tarde se tornou uma potência nacional no setor de peças para automóveis. José deixou a empresa em 1996. Posteriormente, entre outras atividades, presidiu a Sociedade de Cultura Artística.
De acordo com o jornalista Hélio Contreiras, pelo menos dois empresários se recusaram a colaborar na produção da estrutura repressiva da Operação Bandeirante, constituindo exceções: José Mindlin e Antônio Ermírio de Moraes.2 . O documentário Cidadão Boilesen entrevista Mindlin e o mesmo descreve como se deram os fatos.

Carreira literária e bibliofilia

Após sua aposentadoria do mundo empresarial, José pôde dedicar-se integralmente a uma paixão que tinha desde os 13 anos: colecionar livros raros. Seu primeiro livro foi o livro de 1740 Discours sur l'Histoire universelle de Jacques-Bénigne Bossuet. Ao completar 95 anos, acumulava um acervo de aproximadamente 40 mil volumes, incluindo obras de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viajantes, manuscritos históricos e literários (originais e provas tipográficas), periódicos, livros científicos e didáticos, iconografia e livros de artistas (gravuras). Foi então considerada a maior biblioteca pessoal e também a mais importante do País1 .

Lorbeerkranz.pngImortal da Academia Brasileira de Letras

Em 20 de junho de 2006, José foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras para ocupar a cadeira número 29, sucedendo a Josué Montello. Após saber da vitória na eleição, o renomado escritor declarou: "De certa forma, corôa uma vida dedicada aos livros"3 . No mesmo ano, decidiu doar todas as obras brasileiras da vasta coleção pessoal à Universidade de São Paulo (USP)4 . A partir de então, a biblioteca passou a ser chamada "Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin". O prédio da biblioteca, situado no campus da USP, ficou pronto em 23 de março de 2013 e é aberto ao público para visitação gratuita desde 25 de março de 20135 6 7 .
Cquote1.svg Nunca me considerei o dono desta biblioteca. Eu e Guita [esposa já falecida de Mindlin] éramos os guardiães destes livros que são um bem público. Cquote2.svg
— José Mindlin 5

Morte

Na manhã de 28 de fevereiro de 2010, José faleceu aos 95 anos por falência múltipla de órgãos na cidade de São Paulo, após um mês internado no Hospital Albert Einstein8 .

Referências



  • Henrique Veltman, "Mindlin, um imortal", Educar para Crescer, 01/03/2010. Acesso: 31 de março, 2013

  • Jornal Opção: “Não acredito no fim dos jornais” - Jornal Opção - 12 de julho de 2012, acesso: 5/9/2015

  • "José Mindlin", Academia Brasileira de Letras

  • "José Mindlin começa a esvaziar biblioteca", Folha Online: Ilustrada, 22/09/2008

  • "José Mindlin: fascinado pela capacidade de inovar", Estadão.com.br

  • "Brasiliana USP: A Biblioteca Mindlin na USP", Brasiliana USP

  • "Biblioteca Brasiliana, na USP, abre hoje para público", Estadão.com.br, 25/03/2013


    1. "Morre aos 95 o bibliófilo José Mindlin", Folha Online: Ilustrada, 28/02/2010

    Ligações externas


    Precedido por
    Josué Montello
    Lorbeerkranz.png ABL - quinto acadêmico da cadeira 29
    2006 — 2010
    Sucedido por
    Geraldo Holanda Cavalcanti

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    terça-feira, 4 de agosto de 2015

    OCUPAÇÃO ELOMAR - CENTRO/ESPAÇO CULTURAL ITAÚ 2015 - SP

     
    A Pergunta (do "O Tropeiro Gonsalin")
    Elomar Figueira Melo
    exibições
    3.889

    Ô Quilimero Assusta meu irirmão
    Iantes mêrmo que nóis dois saudemo
    Eu te pregunto naquele refrão
    Qui na fartura nóis sempre cantemo
    Na catinga tá chuveno
    Ribeirão istão incheno
    Me arresponda mei irirmão
    Cuma o povo de lá tão
    Só a terra que você dexo
    Quinda tá lá num ritirou-se não
    Os povo as gente os bicho as coisa tudo
    Uns ritirou-se in pirigrinação
    Os òtro os mais velho mais cabiçudo
    Voltaro pru qui era pru pó do chão
    Adispois de cumê tudo
    Cumêr' precata surrão
    Cumêr' coro de rabudo
    Cumêr' cururu rodão
    E as cacimba do ri gavião
    Já deu mais de duas cova d' um cristão
    Inté aquela a da cara fêa
    Se veno só dexô a terra alêa
    Foi nas pidrinha cova de serêa
    Vê sua madrinha
    E vei de mão c'ua vea
    Na cantiga morreu tudo
    Qui nem preciso caxão
    Meu cumpadre João Barbudo
    Num cumpriu obrigação
    Vai prá mais de duas lua
    Que meu pai mandô eu no Nazaré
    Buscá u'a quarta de farinha
    Eu e o irmão Zé Bento vinha andano a pé
    Mãe lua magrinha qui está no céu
    Será qui cuano eu cheguo in minha terra
    Ainda vou encontrar o que é meu
    Será que Deus do céu, aqui na terra
    De nosso povo intonce se isqueceu
    Na catinga morreu tudo
    Qui nem percisô caxão
    Meu cumpadre João Barbudo
    Num cumpriu a obrigação
    Udo aõ udo aõ

    Da Timidez (Luis Fernando Verissimo)

    Ser um tímido notório é uma contradição. O tímido tem horror a ser notado, quanto mais a ser notório. Se ficou notório por ser tímido, então tem que se explicar. Afinal, que retumbante timidez é essa, que atrai tanta atenção? Se ficou notório apesar de ser tímido, talvez estivesse se enganando junto com os outros e sua timidez seja apenas um estratagema para ser notado. Tão secreto que nem ele sabe. É como no paradoxo psicanalítico, só alguém que se acha muito superior procura o analista para tratar um complexo de inferioridade, porque só ele acha que se sentir inferior é doença.
    Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre que-bram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando "Não me olhem! Não me olhem!" só para chamar a atenção.
    O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.
    O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.

    A B C , Luis Fernando Veríssimo




        Quando a gente aprende a ler, as letras, nos livros, são grandes. Nas cartilhas - pelo menos nas cartilhas do meu tempo - as letras eram enormes. Lá estava o A, como uma grande tenda. O B, com seu grande busto e sua barriga ainda maior. O C, sempre pronto a morder a letra seguinte com a sua grande boca. O D, com seu ar próspero de grão-senhor. Etc. Até o Z, que sempre me parecia estar olhando para trás. Talvez porque não se convencesse que era a última letra do alfabeto e quisesse certificar-se de que atrás não vinha mais nenhuma.
        As letras eram grandes, claro, para que decorássemos a sua forma. Mas não precisavam ser tão grandes. Que eu me lembre, minha visão na época era perfeita. Nunca mais foi tão boa. E no entanto os livros infantis eram impressos com letras graúdas e entrelinhas generosas. E as palavras eram curtas. Para não cansar a vista.
        À medida que a gente ia crescendo, as letras iam diminuindo. E as palavras, aumentando. Quando não se tem mais uma visão de criança é que se começa, por exemplo, a ler jornal, com seus tipos miúdos e linhas apertadas que requerem uma visão de criança. Na época em que começamos a prestar atenção em coisas como notas de pé de página, bulas de remédio e subcláusulas de contrato, já não temos mais metade da visão perfeita que tínhamos na infância, e esbanjávamos nas bolas da Lulu e no corre-corre  do Faísca.
     Chegamos à idade de ler grossos volumes em corpo 6 quando só temos olhos para as letras gigantescas, coloridas e cercadas de muito branco, dos livros infantis. Quanto mais cansada a vista, mais exigem dela. Alguns recorrem à lente de aumento para seccionar as grandes palavras em manejáveis monossílabos infantis. E para restituir às letras a sua individualidade soberana, como tinham na infância.
    O E, que sempre parecia querer distância das outras. O R! Todas as letras tinham pé, mas o R era o único que chutava. O V, que aparecia em várias formas: refletido na água (o X), de muletas (o M), com o irmão siamês(o W). O Q, que era um O com a língua de fora.
    De tanto ler palavras, nunca mais reparamos nas letras. E de tanto ler frases, nunca mais notamos as palavras, com todo o seu mistério. Por exemplo: pode haver palavra mais estranha do que "esdrúxulo"? É uma palavra, sei lá. Esdrúxula. Ainda bem que nunca aparecia nas leituras da infância, senão teria nos desanimado. Eu me recusaria a aprender uma língua, se soubesse que ela continha a palavra "esdrúxulo". Teria fechado a cartilha e ido jogar bola, para sempre. As cartilhas, com sua alegre simplicidade, serviam para dissimular os terrores que a língua nos reservava. Como "esdrúxulo". Para não falar em "autóctone". Ou, meu Deus, em "seborréia'!
    Na verdade, acho que as crianças deviam aprender a ler nos livros do Hegel e em longos tratados de metafísica. Só elas têm a visão adequada à densidade do texto, o gosto pela abstração e tempo disponível para lidar com o infinito. E na velhice, com a sabedoria acumulada numa vida de leituras, com as letras ficando progressivamente maiores à medida que nossos olhos se cansavam, estaríamos então prontos para enfrentar o conceito básico de que vovô vê a uva, e viva o vovô.
    Vovô vê a uva! Toda a nossa inquietação, nossa perplexidade e nossa busca terminariam na resolução deste enigma primordial. Vovô. A uva. Eva. A visão. Nosso último livro seria a cartilha. E a nossa última aventura intelectual, a contemplação enternecida da letra A. Ah, o A, com suas grandes pernas abertas.

    in Comédias para se ler na escola, de Luís Fernando Veríssimo

    Poema Mais Ou Menos De Amor: - Luis Fernando Verissimo


    Eu queria, senhora,
    ser o seu armário,
    e guardar seus tesouros
    como um corsário.
    Que coisa louca:
    ser seu guarda-roupa!
    Alguma coisa sólida,
    circunspecta e pesada
    nessa sua vida tão estabanada.
    Um amigo de lei
    (de que madeira eu não sei).
    Um sentinela do seu leito
    - com todo o respeito.
    Ah, ter gavetinhas
    para suas argolinhas.
    Ter um vão
    para o seu camisolão
    e sentir o seu cheiro,
    senhora,
    o dia inteiro.
    Meus nichos
    como bichos
    engoliriam suas meias-calças,
    seus sutiãs sem alças.
    E tirariam nacos
    dos seus casacos.
    Ah, ter no colo,
    como gatos,
    os seus sapatos.
    E no meu chão,
    como trufas,
    suas pantufas...
    Seus echarpes,
    seus jeans,
    seus longos e afins.
    Seus trastes
    e contrastes.
    Aquele vestido com asa
    e aquele de andar em casa.
    Um turbante antigo.
    Um pulôver amigo.
    Bonecas de pano.
    Um brinco cigano.
    Um chapéu de aba larga.
    Um isqueiro sem carga.
    Suéteres de lã
    e um estranho astracã.
    Ah, vê-Ia se vendo
    no meu espelho,
    correndo.
    Puxando,
    sem dores,
    os meus puxadores.
    Mexendo com o meu interior
    - à procura de um pregador.
    Desarrumando o meu serpor
    um prêt-à porter...
    Ser o seu segréto,
    senhora,e o seu medo.
    E sufocar,
    com agravantes,
    todos os seus amantes.

    Luis Fernando Verissimo
    In: Comédias para ler na Escola

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