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Hipertexto
é o termo que remete a um texto, ao qual se agregam outros conjuntos de
informação na forma de blocos de textos, palavras, imagens ou sons,
cujo acesso se dá através de referências específicas, no meio digital
são denominadas
hiperlinks, ou simplesmente
links. Esses links ocorrem na forma de termos destacados no corpo de texto principal,
ícones
gráficos ou imagens e têm a função de interconectar os diversos
conjuntos de informação, oferecendo acesso sob demanda as informações
que estendem ou complementam o texto principal. O conceito de "linkar"
ou de "ligar" textos foi criado por Ted Nelson nos anos
1960 e teve como influência o pensador francês
Roland Barthes, que concebeu em seu livro
S/Z
o conceito de "Lexia", que seria a ligação de textos com outros textos.
Em termos mais simples, o hipertexto é uma ligação que facilita a
navegação dos internautas. Um texto pode ter diversas palavras, imagens
ou até mesmo sons, que, ao serem clicados, são remetidos para outra
página onde se esclarece com mais precisão o assunto do link abordado.
O
sistema de hipertexto mais conhecido atualmente é a
World Wide Web, no entanto a Internet não é o único suporte onde este modelo de organização da informação e produção textual se manifesta.
Etimologia
O prefixo hiper - (do grego "υπερ-", sobre, além) remete à superação
das limitações da linearidade, ou seja, não sequencial do antigo texto
escrito, possibilitando a representação do nosso pensamento, bem como um
processo de produção e colaboração entre as pessoas,ou seja, uma
(re)construção coletiva. O termo hipertexto, cunhado em
1965, costumeiramente é usado onde o termo
hipermídia seria mais apropriado. O
filósofo e
sociólogo estadunidense Ted Nelson, pioneiro da
tecnologia da informação e criador de ambos os termos escreveu:
 |
Atualmente a palavra hipertexto tem sido em
geral aceita para textos ramificados e responsivos, mas muito menos
usada é a palavra correspondente "hipermídia", que significa
ramificações complexas e gráficos, filmes e sons responsivos - assim
como texto. Em lugar dela usa-se o estranho termo "multimídia
interativa", quatro sílabas mais longa, e que não expressa a idéia de
hipertexto estendido. |

— Nelson, Literary Machines 1992
|
Podemos dizer que hipertexto é um texto dentro de outro texto.}}
Outro conceito que ilustra bem a ideia de hipertexto é a de
Mise en abyme,o
termo deriva do francês e significa literalmente "colocar o infinito",
na arte é colocar o próprio objeto infinitamente dentro de si, no
hipertexto poderiamos aproximar a ideia dos infinitos links que vão se
refinando por um único caminho.
História
A ideia de hipertexto não nasce com a Internet, nem com a web. De
acordo com Burke (2004) e Chartier (2002) as primeiras manifestações
hipertextuais ocorrem nos séculos XVI e XVII através de manuscritos e
marginalia.
Os primeiros sofriam alterações quando eram transcritos pelos copistas e
assim caracterizavam uma espécie de escrita coletiva. Os segundos eram
anotações realizadas pelos leitores nas margens das páginas dos livros
antigos, permitindo assim uma leitura não-linear do texto. Essas
marginalia eram posteriormente transferidas para cadernos de lugares-comuns para que pudessem ser consultadas por outros leitores.
Provavelmente, a primeira descrição formal da ideia apareceu em
1945, quando
Vannevar Bush publicou na
The Atlantic Monthly, "
As We May Think", um ensaio no qual descrevia o dispositivo "
Memex".
Neste artigo, a principal crítica de Bush era aos sistemas de
armazenamento de informações da época, que funcionavam através de
ordenações lineares, hierárquicas, fazendo com que o indivíduo que
quisesse recuperar uma informações tivesse que percorrer catálogos
ordenados alfabetica ou numericamente ou então através de classes e
sub-classes. De acordo com Bush, o pensamento humano não funciona de
maneira linear, mas sim através de associações e era assim que ele
propunha o funcionamento do Memex.
O dispositivo nunca chegou a ser construído, mas hoje é tido como um
dos precursores da atual web. A tecnologia usada seria uma combinação de
controles eletromecânicos e câmeras e leitores de
microfilme,
todos integrados em uma grande mesa. A maior parte da biblioteca de
microfilme estaria contida na própria mesa com a opção de adicionar ou
remover rolos de microfilme à vontade. A mesa poderia também ser usada
sem a criação de referências, apenas para gerar informação em
microfilme, filmando documentos em papel ou com o uso de uma tela
translúcida sensível ao toque. De certa forma, o
Memex era mais do que uma máquina hipertexto. Era precursor do moderno
computador pessoal embora baseado em microfilme. O artigo de Novembro de
1945 da revista
Life que mostrava as primeiras ilustrações de como a mesa
1 do
Memex podia ser, mostrava também ilustrações de uma
câmera montada na cabeça, que o cientista podia usar enquanto fazia experiências, e de uma
máquina de escrever capaz de
reconhecimento de voz e de leitura de texto por
síntese de voz. Juntas, essas máquinas formariam o
Memex, provavelmente, a descrição prática mais antiga do que é chamado hoje o
Escritório do Futuro.
Não se pode deixar de citar outro personagem de grande importância
histórica que é Douglas Engelbart diretor do Augmentation Research
Center (ARC) do Stanford Research Institute, centro de pesquisa onde
foram testados pela primeira vez a tela com múltiplas janelas de
trabalho; a possibilidade de manipular, com a ajuda de um mouse,
complexos informacionais representados na tela por um símbolo gráfico;
as conexões associativas (hipertextuais) em bancos de dados ou entre
documentos escritos por autores diferentes; os grafos dinâmicos para
representar estruturas conceituais (o "processamento de idéias" os
sistemas de ajuda ao usuário integrados ao programa).
2 O trabalho de
Ted Nelson e muitos outros sistemas pioneiros de hipetexto com o "
NLS", de
Douglas Engelbart, e o
HyperCard, incluído no
Apple Macintosh, foram rapidamente suplantados em popularidade pela
World Wide Web de
Tim Berners-Lee, embora faltasse a esta muitas das características desses sistemas mais antigos como
links tipados,
transclusão e
controle de versão.
Principais características do Hipertexto
- Intertextualidade;
- Velocidade;
- Precisão;
- Dinamismo;
- Interatividade;
- Acessibilidade;
- Estrutura em rede;
- Transitoriedade;
- Organização multilinear.3
Hipertexto e Internet
Uma das maiores controvérsias a respeito deste conceito é sobre sua
vinculação obrigatória ou não com a internet e outros meios digitais.
Alguns autores defendem que o hipertexto acontece apenas nos ambientes
digitais, pois estes permitem acesso imediato a qualquer informação. A
internet, através da
WWW, seria o meio hipertextual por excelência, uma vez que toda sua lógica de funcionamento está baseada nos links.
Outros pesquisadores acreditam que a representação hipertextual da
informação independe do meio. Pode acontecer no papel, por exemplo,
desde que as possibilidades de leitura superem o modelo tradicional
contido das narrativas contínuas (com início, meio e fim). Uma
enciclopédia
é um clássico exemplo de hipertexto baseado no papel, pois permite
acesso não-linear aos verbetes contidos em diferentes volumes. Um
exemplo de hipertexto tradicional são as anotações de Leonardo Da Vinci e
também a
Bíblia, devido sua forma não-linear de leitura.
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Hipertexto e Educação
Um tópico relevante é a utilização da ferramenta de hipertexto na
Educação. O trabalho com hipertexto pode impulsionar o aluno à pesquisa e
à produção textual. O hipertexto como ferramenta de ensino e
aprendizagem facilita um ambiente no qual a aprendizagem acontece de
forma incidental e por descoberta, pois ao tentar localizar uma
informação, os usuários de hipertexto, participam ativamente de um
processo de busca e construção do conhecimento, forma de aprendizagem
considerada como mais duradoura e transferível do que aquela direta e
explícita.
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A relação entre Educação e
mídias digitais
se faz a partir da popularização da internet, mediante o uso intenso da
linguagem html, que possibilitou a montagem de rede hipertextuais, com
links. Com o uso de hipertexto, conexões disponibilizam material de
referência, independente do tema de interesse, com construção de base de
dados cujo acesso associativo forma uma verdadeira rede de conceitos e
exemplos.
No meio acadêmico-científico, a organização das informações são
artificiais, pois tendem a uma hierarquização forjada. A disposição das
informações no meio reticular da internet, com o auxílio dos hiperlinks,
disponibiliza os conteúdos relacionados conforme seu desenvolvimento, a
partir da ideia de que hipertextos transformam automaticamente palavra
em texto escrito. Dessa maneira, são como as associações na mente
humana, que se movimenta de uma representação para outra ao longo de uma
rede intricada.
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Conforme
Pierre Lévy,
os conteúdos tendem à digitalização, que conecta numa mesma rede o
cinema, o jornalismo, a música e as telecomunicações, deixando o
tratamento físico dos dados em segundo plano. Assim, "ao entrar em um
espaço interativo e reticular de manipulação, associação e leitura, a
imagem e o som adquirem um estatuto de quase-textos", o que amplia as
ferramentas de ensino e discussão.
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Hipertexto e Jornalismo
Primeira Geração: Jornalismo impresso
No jornalismo, o hipertexto não passou a ser usado somente a partir
do advento do jornalismo online. Ao invés da tecnologia dos links, o
jornal impresso desenvolveu técnicas análogas que podem quebrar a
linearidade da leitura. Ele pode ser encontrado no meio impresso, por
exemplo, através de índices, rodapés, remissões, legendas, boxes, caixas
de diálogo, gráficos, entre outros.
Nos índices dos jornais e revistas, o leitor tem conhecimento do que
encontrará na publicação, sendo direcionado para as matérias de seu
interesse. A divisão em editorias também tem esse papel, fazendo com que
o leitor não precise ler o jornal na íntegra, o que caracteriza uma
leitura não-linear.
Já as notas de rodapé desviam o olhar do leitor e o direcionam para
outra informação que complementa ou esclarece algo citado no texto,
recurso comum em livros. As remissões são utilizadas para remeter o
leitor a outras matérias, seja para facilitar o entendimento daquela
lida no momento ou para complementar o assunto.
Um recurso que também é comum nos jornais é o box. Ele pode conter um
histórico da situação abordada na matéria, uma informação adicional,
uma curiosidade, ou mesmo uma prestação de serviço. Para isso, palavras
podem ser destacadas para que assim remetam a uma outra informação
contida no box, funcionando como um link no papel.
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Segunda Geração: Jornalismo online
A internet começou a ser utilizada com finalidade jornalística de
forma expressiva em meados dos anos 90, com o desenvolvimento da Web. A
partir daí, uma nova forma de informar e de se relacionar com o público
surgiu: o
jornalismo online.
Num primeiro momento, esse jornalismo não passava de uma transposição
das matérias do jornal impresso para o meio digital. Em uma segunda
fase, os textos começam a investir nas tecnologias informáticas, nas
quais o link confere velocidade à conexão entre diferentes notícias. Os
e-mails surgem como forma de comunicação com o leitor.
O webjornalismo desponta definitivamente com o surgimento de projetos
editoriais voltados exclusivamente para a internet. Esse atual
jornalismo possui características específicas:
interatividade, customização de conteúdo, hipertextualidade e multimidialidade (Bardoel e Deuze, 2000).
A
interatividade
faz com que o leitor se sinta parte do processo e possa enviar
sugestões/opiniões aos jornalistas. O conteúdo é customizado a partir de
sites configurados de acordo com os interesses do leitor, que já o
direcionam para suas áreas preferenciais. Já a multimidialidade se
refere à mistura de diferentes mídias tradicionais (imagem, texto e som)
para narrar um fato.
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Terceira Geração: Jornalismo colaborativo
O jornalismo colaborativo dá um passo a frente do webjornalismo, na
medida em que quebra as barreiras entre jornalista/leitor. Surge a
Web 2.0,
termo que descreve o atual período da rede cuja ênfase passa da
publicação para a colaboração. Nela, a abertura dos hipertextos é levada
ao limite: os envolvidos compartilham a construção comum do texto
10 .O melhor exemplo é a Wikipedia, que permite a invenção coletiva ao mesmo tempo que cria links entre seus próprios verbetes.
Nos diversos sites colaborativos, como o
WikiNews e o
Slashdot,
o jornalista não mais detém o poder da escrita. Eles permitem que o
leitor se coloque como repórter e mande sua própria matéria. O
jornalista coreano Oh Yeon Ho, ao criar o
OhMyNews, decreta que "todo cidadão é um repórter"
11
Além disso, sites jornalísticos tradicionais vem apostando na
interação com o leitor permitindo que este envie matérias, vídeos, fotos
e informações que possam colaborar na construção da notícia, como o
Vc Repórter, do Portal Terra, e o
Eu-repórter, do Jornal O Globo.
Conferências Acadêmicas
Uma das principais conferências sobre novas pesquisas em hipertexto é a Conference on Hypertext and Hypermedia (HT),
12 realizada anualmente pela
ACM.
The International World Wide Web Conferences Steering Committee
13 inclui muitos artigos de interesse. Há também uma lista com links para todas as conferências da série.
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Ver também
Bibliografia
- BEIGUELMAN, Giselle. O livro depois do livro. São Paulo, editora Peirópolis, 2003. Link do livro on-line:
http://www.desvirtual.com/thebook/o_livro_depois_do_livro.pdf
- Byers, T. J. (1987, Abril). Built by association. PC World, 5, 244-251.
- Crane, Gregory. (1988).
Extending the boundaries of instruction and research. T.H.E. Journal
(Technological Horizons in Education), Macintosh Special Issue, 51-54.
- Heim, Michael. (1987). Electronic Language: A Philosophical Study of Word Processing. New Haven: Yale University Press.
- LANDOW, George. Teorías del Hipertexto. Madrid, Paidos, 1997.
- NELSON, Ted. Libertando-se da prisão da internet. São Paulo, IMESP/FILE, 2005. Link para o texto
- Nelson, Theodor H. (1973). A Conceptual framework for man-machine everything. National Computer Conference and Exposition, June 4-8, 1973, Mew York, NY. AFIPS Conference Proceedings VOL. 42 (pp. M22-M23). Montvale, NJ: AFIPS Press.
- Van Dam, Andries. (1988, July). Hypertext '87 keynote address. Communications of the ACM, 31, 887-895.
- Yankelovich, Nicole, Landow, George P., and Cody, David. (1987). Creating hypermedia materials for English literature students. SIGCUE Outlook, 20(3).
Referências
Ligações externas